terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Eleições para reitor/a :: Quem tem medo da Democracia?

O grupo Movimentação acredita que Universidade Caxias do Sul somente poderá se tornar uma universidade de excelência com a participação direta da comunidade acadêmica. Por isso, a democratização dos espaços de decisão da Ucs é central para que os estudantes sejam atendidos nas demandas e carência que sentem na nossa Universidade.

Sendo assim, convocamos os Diretórios Acadêmicos a fazer parte desta luta e a debater conosco os rumos da nossa Universidade, comprometendo os candidatos/as a próximo reitor ou reitora, em um projeto que avance na democratização e na qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão.

Segue abaixo a carta construída para o Conselho Diretor com as exigências da comunidade acadêmica para o processo de escolha do Reitor/a.

Saudações de Luta!




UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL

ASSOCIAÇÃO DOS DOCENTES DA UCS

ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DA FUCS

DIRETÓRIO CENTRAL DE ESTUDANTES

Caxias do Sul, 18 de Fevereiro de 2010.

Prezados Senhores:

A Universidade de Caxias do Sul - UCS está presente em nossa comunidade há 43 anos. Este ano será muito importante para avançar na sua história – ano de Sucessão na Reitoria. Trata-se de um importante momento na vida da Universidade, onde nossas ações e decisões moldarão a UCS dos próximos anos.

Para a Universidade o Reitor é líder e gestor, e é através dele que são conduzidas as demandas, contornados os percalços e se busca o avanço na qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão. O Reitor é, também, um dos integrantes do Conselho Diretor, órgão máximo da Fundação Universidade Caxias do Sul, que delibera sobre os assuntos mais importantes da Instituição, e de onde as decisões afetam toda a comunidade acadêmica e regional.

Possibilitar que a escolha do Reitor seja feita de forma democrática e participativa, com o envolvimento de toda a comunidade acadêmica, é uma luta histórica dos estudantes, professores e funcionários desta Instituição. A busca pela eleição direta para o cargo de Reitor permite o exercício da cidadania e estimula a democracia no âmbito da Universidade e, conseqüentemente, na sociedade regional.

Em 2006 foi obtida uma conquista histórica para a UCS: com diálogo, debate e, também, com muita pressão por parte das entidades representativas, ocorreu a Consulta Acadêmica, aberta a todos integrantes da Universidade e que apontou quem deveria ser o novo Reitor através de uma lista de quatro candidatos. A indicação majoritária da comunidade acadêmica foi, naquela oportunidade, referendada pelo Conselho Diretor, o que legitimou o processo democrático e participativo.

Não podemos regredir e perder esta importante conquista. Devemos ir além: precisamos avançar na democracia interna da Universidade, garantindo que nossa Universidade seja administrada da forma como concebida: comunitária e a serviço da sociedade e da região.

Por isso nós do DCE, da ADUCS e da AFFUCS solicitamos ao Conselho da Fundação Universidade de Caxias do Sul a discussão e o encaminhamento dos seguintes itens:

a) Compromisso com o avanço da democracia na escolha do novo Reitor;

b) Definição de que, na Consulta Acadêmica, a paridade seja garantida com, no mínimo, 1/3 para cada categoria da academia.

c) Definição de cálculo de proporção dos votos tendo como base o número de votantes e não o universo de aptos a votar.

d) Compromisso da não necessidade de quórum mínimo para validação da eleição;

e) Delegar ao Conselho Universitário – Consuni, a regulamentação e organização do processo de escolha;

f) Garantia de eleições com base nos princípios da transparência, equidade, respeito e ética, respeitada ampla divulgação e debate;

g) Que o calendário do processo eleitoral seja feito de maneira a respeitar os princípios propugnados no item anterior, permitindo o amplo conhecimento, debate e participação da comunidade acadêmica. Sugerimos o mês de março para campanha e debates e o mês de abril para a votação;

h) Incluir em todo o processo as entidades representativas das categorias da academia: ADUCS, AFFUCS e DCE;

i) Posse, pelo Conselho Diretor, do nome indicado pela Consulta Acadêmica.

ASSOCIAÇÃO DOS DOCENTES DA UCS

ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DA FUCS

DIRETÓRIO CENTRAL DE ESTUDANTES

Ilmos. Senhores:

Membros do Conselho Diretor

Fundação Universidade de Caxias do Sul

Nesta Cidade

Coletivo de Mulheres Estudantes da UCS participa da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres


Em 2010, a Marcha Mundial das Mulheres vai organizar sua terceira ação internacional. Ela será concentrada em dois períodos, de 8 a 18 de março e de 7 a 17 de outubro, e contará com mobilizações de diferentes formatos em vários países do mundo. O primeiro período, que marcará o centenário do Dia Internacional das Mulheres, será de marchas. O segundo, de ações simultâneas, com um ponto de encontro em Sud Kivu, na República Democrática do Congo, expressará a solidariedade internacional entre as mulheres, enfatizando seu papel protagonista na solução de conflitos armados e na reconstrução das relações sociais em suas comunidades, em busca da paz.

O tema das mobilizações de 2010 é “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, e sua plataforma se baseia quatro campos de atuação em sobre os quais a Marcha Mundial das Mulheres tem se debruçado. Os pontos são: Bem comum e Serviços Públicos, Paz e desmilitarização, Autonomia econômica e Violência contra as mulheres. Cada um desses eixos se desdobra em reivindicações que apontam para a construção de outra realidade para as mulheres em nível mundial.

Estão previstas também atividades artísticas e culturais, caravanas, ações em frente a empresas fabricantes de armamentos e edifícios da ONU, manifestações de apoio às ações da MMM em outros países e campanhas de boicote a produtos de transnacionais associadas à exploração das mulheres e à guerra.

No Brasil

A ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil acontecerá entre os dias 8 e 18 de março e será estruturada no formato de uma marcha, que vai percorrer o trajeto entre as cidades de Campinas e São Paulo. Serão 3 mil mulheres, organizadas em delegações de todos os estados em que a MMM está presente, numa grande atividade de denúncia, reivindicação e formação, que pretende dar visibilidade à luta feminista contra o capitalismo e a favor da solidariedade internacional, além de buscar transformações reais para a vida das mulheres brasileiras.

Serão dez dias de caminhada, em que marcharemos pela manhã e realizaremos atividades de formação durante à tarde. A marcha será o resultado de um grande processo de mobilização dos comitês estaduais da Marcha Mundial das Mulheres, que contribuirá para sua organização e fortalecimento. Pretendemos também estabelecer um processo de diálogo com as mulheres das cidades pelas quais passaremos, promovendo atividades de sensibilização relacionadas à realidade de cada local.

Para participar

A mobilização e organização para a ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil já começou. Os comitês estaduais da MMM estão organizando seminários de formação, mobilização e atividades de arrecadação de recursos com a perspectiva de fortalecer os próprios comitês e as alianças entre a Marcha Mundial das Mulheres e outros movimentos sociais.

As Mulheres Estudantes da UCS estão se organizando para participar da Ação Internacional de 2010 através do Coletivo de Mulheres Estudantes da UCS que existe desde 2006 e é um espaço de auto-organização das estudantes da universidade. Seu objetivo é debater assuntos que atingem as estudantes e mulheres em geral, dentro e fora na universidade.

Para participar do Coletivo de Mulheres e da Ação Internacional de 2010, entre em contato com a Coordenação de Combate as Opressões do DCE pelo email: alexandracastilhos@gmail.com ou telefone: (54)96050086.

Mais informações pelo site da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

UEE Livre/RS toma Posse no Acampamento Intercontinental da Juventude

Ao marcar a posse da UEE/RS para o Fórum Social Mundial o objetivo da nova diretoria era aproveitar o momento para reunir um grande número de estudantes. Mal sabiam que a atividade reuniria, também, grandes figuras da esquerda gaúcha, brasileira e até representação internacional. No dia 28 de janeiro, no Acampamento Intercontinental de Juventude na Lomba Grande em Novo Hamburgo, foi empossada a nova gestão da União Estadual dos Estudantes do RS – Dr. Juca.
A posse contou, inicialmente, com um debate sobre a história do movimento estudantil gaúcho coma presença do Deputado Federal Pepe Vargas (PT/RS) – diretor da UEE entre 1982 a 1984 e Davi Fiacovi, presidente da UEE em 1979. Juntaram-se a eles durante a atividade o Presidente da UBES, Yann Evanovick, a Vice Sul da UNE, Eriane Pacheco, a Superintende do Grupo Hospitalar Conceição Jussara Cony, o Deputado Estadual Ronaldo Zulke (PT), Deputado Federal Beto Albuquerque (PSB/RS), Prefeito de Novo Hamburgo Tarcísio Zimmermann, Ex-Governandor Olívio Dutra e o Senador Uruguaio da Frente Ampla, Carlos Baraiba. O Ministro da Justiça Tarso Genro também prestigiou a posse enquanto aguardava o começo de outra atividade.
Sobre a memória da UEE Pepe relembrou quais eram os anseios daquela geração e as bandeiras de luta para a educação no Estado: “Lutávamos para a democratização da universidade, para termos um ensino público, gratuito, democrático e ao lado dos trabalhadores. Onde as pessoas sejam formadas e mantenham vínculos orgânicos com a idéia da transformação social.” – anseios que se mantém atuais.
Também resgatou a ideia da construção do Cio da Terra, o 1º Encontro da Juventude Gaúcha organizado pela UEE que foi a preparação do que viria a ser o Acampamento Intercontinental da Juventude, onde além da parte cultural, que é importante, organizamos um conjunto de debates e temas para uma juventude reprimida pela ditadura militar. As discussões permearam entre cultura, arte, liberdade de expressão, saúde, educação, partidos políticos, movimentos sociais, ambiental, sexualidade e drogas. “Esses temas continuam sendo discutidos no Acampamento de Juventude”, afirmou Pepe.
Pepe finalizou relembrando a fala do Sociólogo Boaventura Souza dos Santos que disse que o Fórum Social Mundial, FSM, está desafiado a ser FSMEM, ou seja, Fórum Social Mundial Em Movimento, ou seja, “Cada entidade deve levar o Fórum para os movimentos em que participa”, completou.
A próxima fala ficou por conta de Davi Fiacovi que presidiu a entidade na primeira gestão pós ditadura militar. Fiacovi também participou da reconstrução da UNE, em 1979. Ele lembra que durante a ditadura militar a direita no estado organizou o Diretório Estadual de Estudantes, DEE. “Hoje os neo liberais estão tentando criar denovo, através da Colombia. Levam os caras fazer cursinho para colocar ideologia de direita na cabeça do estudante”, afirma. Para finalizar ele cita que esse é um momento ímpar, de muita alegria, “pois vocês são herdeiros desta tradição de luta dos estudantes gaúchos. Também nos orgulham ao prestar está homenagem a grande figura que foi João Carlos Hass Sobrinho – Dr. Juca”, finaliza.
Quem também lembro do Dr. Juca foi a superintendente do Grupo Hospitalar Conceição e ex deputada, Jussara Cony. “Convivi com Dr. Juca ele era aquele que trouxe sua individualidade, sua luta, a sua coragem, a capacidade técnica ligada aos príncipios, a ideologia política para a construção de um Brasil melhor”, relembra.
Antes da fala dos atuais coordenadores da UEE foram convidados para dar uma saudação o ex governador gaúcho Olívio Dutra e o Senador Uruguaio Carlos Baraiba. Olívio saudou a todos dizendo que se queremos construir uma nova sociedade é importante organizar a juventude. “Com uma juventude desorganizada ou acomodada não se constroi a mudança, o diferente, não se faz transformação para todos e todas”, afirmou. Em sua fala Baraiba manifestou sua intenção de participar novamente do acampamento de juventude. “No acampamento que eu visitei em Belém pude que é mentira que a juventude não se interessa por política. As experiências que tive no acampamento me acompanharam por todo o ano nas discussões que fiz no Uruguai”, confidenciou.
Por último vieram as falas dos novos coordenadores eleitos da UEE/RS. Henrique Porto Lusa apresentou as diretrizes para a gestão. O objetivo é fazer que a UEE seja uma entidade de luta. “Ela é uma entidade que tem no seu passado a defesa da educação pública gratuita, de qualidade e socialmente referenciada. Nós estudantes, que temos hoje a tarefa de estar reconduzindo a UEE no próximo período, temos muitas responsabilidades, com o próprio cenário político que está colocado hoje, mas também pela história desta entidade”, pondera Henrique.
Como lutas a UEE está a defesa da UERGS e a destinação de 50% do Fundo Social Soberano do Pré Sal para a educação. Também está na pauta a construção de um movimento estudantil que seja unitário, “um movimento estudantil que dialogue com os setores que hoje estão fora da UEE, para que tenhamos um movimento organizado, atuante e que dispute a pauta política do próximo período no Rio Grande do Sul e no Brasil”, finaliza.
A fala de Rodrigo da Luz de Jesus agradeceu a UNE no auxílio na reconstrução da UEE. “É importante garantirmos a unidade do movimento estudantil para lutarmos por recursos do fundo social para a educação”, afirma. Ele defendeu que o Rio Grande do Sul também tem que ter um Fundo Social com os “royalties” que receberá do Pré Sal. Também reforçou a importância de lutar contra o sucateamento da UERGS, “a gente não pode mais ter unidades da UERGS sem vestibular. Parece que alguns governantes não querem que o jovem vá para o ensino público”, sentenciou Rodrigo. Para finalizar o estudante fez um chamamento a todos os estudantes para a construção do Conselho de Entidades de Base para discutir os rumos da entidade e construir uma UEE unificada.