No dia de ontem (21/02) o DCE/UCS fez uma reunião com o Pró Reitor Financeiro, Gilberto Chissini, o Pró Reitor Acadêmico Evaldo Kuiava, e o Reitor em exercício, José Carlos Köche. Também estavam presentes os Diretórios Acadêmicos de Publicidade e Propaganda, Biologia e Engenharia Química, uma representação de Arquitetura, estudantes e coordenadores do DCE.
Ao invés da reitoria explicar os motivos do cancelamento das cotas de impressão ela abriu a palavra aos estudantes. O coordenador de finança, Vinícius Postali e o coordenador de assistência estudantil, Paulo Ferreira, fizeram uso da palavra dizendo que a reação dos estudantes ao corte nas impressões foi muito ruim. Apresentaram um abaixo assinado com mais de 3000 assinaturas repudiando ação da Universidade.
Ao fazer o uso da palavra o Pró Reitor Acadêmico tentou justificar a nova norma. Para ele havia abusos e mau uso do sistema de impressão. Kuiava também disse que na sua opinião imprimir (textos, slides, etc.) não necessariamente tinha objetivo acadêmico. Ele até disse, sem ter mostrado, que havia e-mails elogiando a atitude da reitoria.
O Pró Reitor Financeiro, Gilberto Chissini, ponderou, sem mostrar números também, que a Universidade necessita fazer cortes orçamentários (e as cotas de impressão seriam um deles), para poder manter o equilíbrio financeiro da instituição.
A ação unilateral da UCS foi duramente questionada. Na opinão dos acadêmicos faltou diálogo por parte da instituição e a reitoria resolveu resolver um problema pontual com uma penalização coletiva. “Foi como o professor punir a turma toda por que um aluno fez bagunça”, citou um estudante presente.
Outros acadêmicos questionaram as afirmações da reitoria. Os representantes da Arquitetura falou sobre o uso dos Ploters pelos estudantes e da dificuldade de muitas vezes usar os computadores do Campus 8 pois eles são muito obsoletos.
A presidente do DA de Engenharia Química também questionou a afirmação do Pró Reitor que imprimir material não é importante. Para isso ela citou que diversas disciplinas os professores postam exercícios ou conteúdos que são acompanhados durante as aulas. Falou também que várias disciplinas utilizam-se de tabelas e que o bloco (G/V) nem laboratório de informática tem.
A mesma crítica foi compartilhada pelo presidente do DA de Publicidade e Propaganda que falou das dificuldades de acessar os laboratórios do CETEL já que eles são salas de aula. E as críticas continuaram vindas dos estudantes de Biologia e Agronomia presentes.
Como alternativa para as impressões o Pró Reitor Acadêmico apresentou um convênio que a UCS está firmando com uma biblioteca de e-books. Segundo ele isso evitaria ter que usar impressões, pois todos os alunos teriam uma senha para acessar o sistema. Isso evitaria, também, segundo o professor, os polígrafos que muitas vezes ferem direitos autorais e a UCS algumas vezes é questionada por isso.

Essa foi uma iniciativa que foi elogiada pelos presentes, mas todos levantaram vários questionamentos. Primeiro, não são todos os estudantes que tem notebook, ou computador, então ainda não é uma ação universal. Segundo, muitos laboratórios de computação da UCS tem equipamentos tão antigos que não dão suporte para essa tecnologia.
Por parte dos integrantes do DCE que não são da Movimentação o colega Jean Baú, Coordenador de Extensão, da Hora de Avançar, solicitou os relatórios de uso de impressões pelos alunos. Já o Coordenador de Pesquisa, Lucas de Oliveira, do DCE por Você, apontou que os professores devem utilizar mais o Ambiente Virtual de Aprendizagem, AVA. Segundo ele a implantação e manutenção do AVA gerou e gera custos para a instituição e não utilizar o sistema é como desperdiçar dinheiro.
Depois de mais de duas horas de reunião foi apresentada uma proposta de criação de um grupo de trabalho para analisar a política de cotas de impressão. Esse grupo se reunirá na próxima quinta-feira (24/02) e decidirá como será daqui para frente. Alguns compromissos estão estabelecidos:
- · Uso de impressões necessárias para fins acadêmicos estão mantidas (ex. plotagem);
- · As impressões de monografias, TCCs e relatórios de estágio não se alteram
- · Esse grupo de trabalho acompanhará, durante o ano inteiro, o andamento do volume de impressões.
Ao final da reunião foi entregue ao reitor em exercício o abaixo assinado com as mais de 3000 mil assinaturas recolhidas pela internet. O chefe de gabinete do reitor, José Carlos Monteiro, admitiu que para toda a ação há uma reação, “e essa [o abaixo assinado] foi a reação dos estudantes, temos que levar isso em conta”, afirmou.

Na parte da noite foi feita uma conversa com os estudantes que estavam presentes no Centro de Convivências. Agregaram-se estudantes de História, Moda e Estilo, Sistemas de Informação e Filosofia. Foi dado um relato sobre a reunião da tarde. Os estudantes também tiveram espaço para reivindicar melhorias em seus locais de estudo, principalmente o Campus 8.
A participação da Movimentação nesses dois momentos foi decisiva. As outras duas forças do movimento estudantil que compõem a diretoria mal se manifestaram e demonstraram um profundo desconhecimento sobre a UCS. Nossa posição foi firme, sem ser agressiva nem conciliadora. Conseguimos agregar estudantes na discussão. O debate não ficou restrito ao DCE. Me parece que os estudantes novamente começam a reconhecer o DCE como entidade de representação.
Ao final da reunião não fomos sectários e abrimos a participação do GT de trabalho as outras forças do movimento, que eram muito minoritárias naquele momento. O DCE participou com uma só fala, liderada pela Movimentação.