quarta-feira, 30 de março de 2011

A luta das “mães do Mariani” por educação infantil: expressão da busca por direitos



por Daniela Anunciação e Raquel Duarte

“Mães do Mariani”, assim ficaram conhecidas as moradoras do bairro Mariani de Caxias do Sul, que se tornaram um exemplo de organização e luta das mulheres na cidade.


Elas saíram da reunião do Orçamento Comunitário do bairro (processo que substitui o Orçamento Participativo no município) com a certeza de que em breve teriam a tão esperada escola de educação infantil. Não podiam imaginar que aí iniciaria um verdadeiro martírio.

Em fevereiro deste ano, a prefeitura autorizou o início das obras. Porém para total surpresa no terreno destinado à construção da “creche”, seria construída uma área de lazer.

Como assim? Ficaram sem entender como é que a grande prioridade do bairro – escola de educação infantil – tinha se transformado de uma hora para outra em uma área de lazer. Mas elas não ficaram paradas.

A luta das mulheres pelas “creches públicas”, não é uma luta recente. Estudando a história do feminismo, percebe-se que em meados do século XIX, feministas como Clara Zetkin, Alexandra Kolontai, entre outras, afirmavam o papel do Estado na socialização das tarefas domésticas, por meio de serviços como lavanderias, restaurantes populares e “creches”.

Essa luta continua muito atual. A construção de escolas de educação infantil tornou-se um direito da criança e uma política pública para as mulheres O acesso às escolas de educação infantil é um direito da criança, uma vez que é a primeira etapa da educação básica, e, portanto, é um dever público.

Sem “creches públicas”, impossível caminhar na direção da igualdade entre homens e mulheres. Claro, numa sociedade onde é latente a divisão sexual do trabalho, a quem recai a responsabilidade das tarefas do cuidado e da educação?

A garantia de vagas em “creches públicas” constitui-se uma política pública básica para o acesso e a permanência das mulheres no mercado de trabalho, também para acesso ao lazer, à educação e participação em espaços da sociedade. Reafirmando: a educação infantil, é um direito da criança, da mulher, da família, e responsabilidade do Estado.

Sentindo-se extremamente injustiçadas, as mães do Mariani uniram-se para reivindicar seus direitos. Com a chegada das máquinas no terreno onde seria construída a área de lazer, impediram o início das obras com seus próprios corpos.

Em outro momento, participaram de audiência pública, cobrando posição d@s vereador@s do município, entregaram abaixo assinado para o Ministério Público, fizeram manifestações em frente à prefeitura, exigindo resposta do Prefeito, e nada.

Mas elas não se cansaram. Ocuparam simbolicamente o Centro Comunitário do Bairro, e lá organizaram uma “creche comunitária”. Fizeram alimentação e organizaram atividades para mais de quarenta crianças. E a resposta do poder público municipal, para espanto, ou não, foi dizer que a partir de agora, a mobilização das mulheres se tornara um caso de polícia, mostrando total ou desrespeito para com os direitos humanos.

Mais uma vez, as mulheres não se intimidaram. Elas conhecem seus direitos!

Ora, o centro comunitário pertence aos moradores do bairro, e como sócias da Associação do Bairro, têm todo o direito de ocupá-lo pacificamente.

Ainda sem obter qualquer retorno positivo para a demanda, no dia 21 de março, as mulheres fizeram uma caminhada, de 10 Km, do bairro Mariani até a prefeitura, passando pela Avenida Júlio de Castilhos, parando o trânsito, e chamando a atenção da população para a sua luta, que não é só delas, e sim de toda a cidade. A final, a realidade da educação infantil no município tem se mostrado muito aquém das necessidades da população do município. Ao chegar na Prefeitura entregaram um documento ao representante do prefeito, com suas reivindicações.

Resulto? Infelizmente ainda nenhum. A prefeitura continua defendendo a prioridade da construção da área de lazer, deixando a construção da “creche” a segundo plano, ou melhor, fora dos planos, demonstrando um total desrespeito com toda a população, e uma insensibilidade tamanha com a luta das mulheres.

Neste exato momento, as mulheres estão acampadas no local onde deveria estar sendo construída a escola de educação infantil. Estão lá, com suas crianças, dia e noite, sob chuva e sol, contando com a solidariedade dos vizinhos e parceiros, e de lá, prometem não sair até uma resposta positiva do poder público

As “Mães do Mariani” estão irredutíveis, incansáveis. Sua dura jornada já completará dois meses. Elas só querem que a prioridade eleita pelos moradores do bairro seja respeitada.

A luta das “Mães do Mariani” é uma luta de todas as mulheres. Construção de Escolas de Educação Infantil tem que ser prioridade. Esse é um problema enfrentado em diversos bairros da cidade. Todo apoio e solidariedade à luta das “Mães do Mariani”!

sábado, 26 de março de 2011

100 dias de gestão, uma avaliação

A Movimentação já sabia que o DCE estava numa situação ruim quando concorremos no ano passado. Tinhamos algum conhecimento sobre isso por que compusemos a gestão e, por mais que quiséssemos participar a antiga diretoria do DCE só realizou 2 reuniões da Coordenadoria do DCE e 3 Conselhos de Entidade de Base. Mesmo assim não nos furtamos de debater o movimento estudantil da UCS. Prova disso é esse blog com inúmeras postagens (mais do que no site do DCE no ano passado).

Não queremos ficar vivendo de passado, até por que o grupo que hegemonizava a entidade no ano passado já teve seu julgamento pelas urnas e foi derrotado, mas alguma questões são importantes de serem compartilhadas com os estudantes, até para que essas mesmas pessoas não venham com mentiras.
A estrutura da entidade

Recebemos o DCE em uma sala minuscula, com móveis e computadores quebrados, sem documentos da gestão 2010 e sem nenhuma condição de trabalho. Passaram 3 cópias da chave da porta e perderam a chave do cofre! (ironico isso).

Na área de comunicação então nem se fala, a única ação em 12 meses de gestão foi um blog com pouquíssimos acessos e ate hoje esperamos a senha do email dceucs@gmail.com (foi criado um outro dceucs@dceucs.com.br) Neste email tem um maillig de 4 mil emails que a movimentação passou para a gestão 2010.

O site www.dceucs.com.br , no primeiro mês que recolocamos no ar já teve mais acessos que todo o ano passado. O twitter (que passamos dos 1000 followers) e Facebook (que tinha 18 amigos e hoje tem mais de 800) se tornaram ferramentas positivas, que dialogam com os estudantes. Ainda por cima tem um guia de convênios com descontos para estudantes com mais de 50 convênios até agora e tende a crescer! Criamos também a ouvidoria do DCE ouvidoria@dceucs.com.br.

Desde janeiro a Movimentação está se dedicando a recuperar o espaço perdido no DCE. Reformulamos a sala, criamos uma sala de reuniões, área administrativa e depósito, além da área de convivência dentro de nossa sala.  Adquirimos 2 computadores e 1 impressora e consertamos o outro PC.

Relacionamento com os DAs
No auxilio aos DAs nós em menos de 1 mês quase demos mais auxilio que toda a gestão 2010 e alem disso estamos dialogando com a reitoria para fechar 2 projetos que avançam na organização dos DAs e do ME na UCS: comodato de utilização dos espaços dos DAs e recadastramento dos DAs.

Lembrando que os DAs que receberam auxilio este ano, receberam por projeto e não por proximidade política como ocorreu no passado. Na questão demandas dos DAs também estamos atentos e procurando dialogar constantemente, em Caxias e fora.

Na organização das eleições dos DAs estamos atentos a incoerência da comissão eleitoral do ano passado ao conduzir a eleição do DARVIN e do DRE de Vacaria que precisam ser resolvidas.

DCE também é cultura
Bom, na cultura já foram 11 atividades nos Núcleos que foram completamente esquecidos no ano passado, mais 3 agendadas para Bento, Caxias e Vacaria. Ainda tem a programação do coletivo de mulheres que são outras 25 atividades! Todas contaram com grande participação de público.
Não torramos dinheiro do estudante em show de 70 mil reais e muito menos fizemos festas particulares em espaços da UCS com depredação do patrimônio da universidade, não quebramos máquina de suco do RU como aconteceu no ano passado.

Na defesa dos estudantes
No debate político então o DCE conseguiu dentro e fora da Universidade pautar temas de interesse com personalidade e poder de fala e argumentação: Cotas de impressão, RU, Reforma da saúde mental de Caxias, Plano de Participação Plurianual do Governo do Estado e não para por aí, a mesa de negociação com a reitoria e o Grupo de Trabalho de reforma do estatuto da UCS serão um espaço rico no debate sobre os rumos da UCS.

O DCE hoje é um lugar efervecente. Todo o dia temos atividades e os estudantes vão na sede da entidade para algo além de pegar café na máquina ou tirar xérox. Isso é uma mudança grande de paradigma. Saímos de uma gestão que juntava os amigos e buscava benefícios próprios para uma gestão que defende os estudantes e luta junto com eles.

No ano passado as únicas vezes que os estudantes entraram na sala do DCE era para chamar a antiga gestão de vendida. Isso acabou. Convidamos a todos os estudantes , dirigentes estudantis ou não, que quiserem discutir a sérios sobre a UCS que apareçam na sede do DCE. Hoje, lá, não há mais lugar para oportunistas.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Atividade Cultural: 5 anos do Coletivo de Mulheres

A atividade Cultural: 5 anos do Coletivo de Mulheres, faz parte da programação da Jornada Estudantil em Alusão ao 8 de março e será realizada no Centro de Convivências da UCS, a partir das 18 horas. É um momento de comemoração e resgate do protagonismo das mulheres estudantes através do Coletivo de Mulheres, nesses cinco anos de existência.
O Coletivo de Mulheres Estudantes da UCS foi criado no ano de 2006, durante as comemorações do 8 de março – Dia Internacional de luta das Mulheres. A partir de sua formação, o Coletivo elabora e protagoniza uma série de atividades que pretendem debater as opressões de gênero presentes na sociedade e elaborar ações que buscam construir um mundo mais justo e fraterno.
Segundo Fabíola Papini, estudante de Psicologia e que participou da criação do Coletivo “o importante é perceber que a pauta feminista encontrou novas protagonistas na universidade que mantiveram viva a organização do Coletivo de Mulheres”, afrimou Fabíola.
A atividade acontecerá amanhã, a partir das 18 horas e sua programação contará com apresentações com as Djs Amanda (set) e Flavia Leite (música eletrônica - Genética Live), Rap e graffiti com a Vanessa Girlove e malabares de fogo.
A Jornada estudantil
O Coletivo de Mulheres da UCS e o DCE Gestão 2011, promovem do dia 1º ao dia 31 de março a Jornada Estudantil em alusão ao 8 de março, dia internacional de luta das mulheres. A jornada tem como tema “Ô abre alas que as mulheres vão passar...lugar de mulher é em todo lugar!” e objetiva colocar em discussão a questão de gênero de uma forma crítica na universidade, envolvendo a comunidade, principalmente a acadêmica, e a partir disso, celebrar e reanimar o protagonismo das mulheres que lutam e sonham pela transformação da sociedade.
Além dessa atividade cultural, a Jornada está promovendo momentos de debates nas diversas áreas relacionando com a questão de gênero, rodas de conversa, momentos de integração, participações do coletivo de mulheres em atividades organizadas por outros movimentos sociais e atividades de grupos de pesquisa, além de momentos culturais.
A programação completa está no site do DCE da UCS www.dceucs.com.br

quarta-feira, 23 de março de 2011

Centro acadêmico pode propor ação civil em favor de estudantes

Centro acadêmico pode propor ação civil pública com índole consumerista em favor de estudantes. Essa foi a decisão da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao julgar recurso do Centro Acadêmico de Direito Edézio Nery Caon contra a Fundação das Escolas Unidas do Planalto Catarinense (Uniplac).

Em assembleia com os estudantes do curso de direito, ficou decidido que o centro ingressaria com uma ação civil pedindo o reconhecimento da ilegalidade e abusividade de algumas condutas praticadas pela Uniplac. Entre elas, assuntos como reajuste de anuidade sem observância de prazo mínimo de divulgação, taxa de matrícula com média de 22 créditos, taxa de matrícula efetuada fora do prazo, não divulgação da proposta de contrato de adesão aos alunos e imposição de matrícula em no mínimo 12 créditos.

Em primeira instância, o juiz julgou extinto o processo por ilegitimidade ativa do centro acadêmico e impossibilidade jurídica do pedido. Em apelação, o pedido foi novamente negado, sob o argumento de que o centro acadêmico não possuiria autorização mínima exigida em lei para propor a ação. Segundo o artigo 7 da Lei n. 9.870/1999, é necessário o apoio de, pelo menos, 20% dos alunos, no caso de ensino superior, para que as associações possam propor ação.

No recurso ao STJ, o centro acadêmico pediu para que fosse reconhecido o direito de ajuizar ação civil pública no interesse dos alunos da Uniplac, dando prosseguimento no processo na primeira instância.

Em seu voto, o ministro Luis Felipe Salomão, relator do recurso, afirma que o processo coletivo pode ser ajuizado por entidades civis, como associações e sindicatos, defendendo diretamente seus associados ou todo o grupo, mesmo de não associados, desde que compatível com os fins institucionais.

No caso, o próprio estatuto do centro acadêmico prevê a condição de defesa dos interesses dos estudantes de direito, de forma genérica. E assim, segundo o relator, pode se entender que tal disposição também diz respeito aos interesses dos estudantes, como consumidores, diante da instituição de ensino particular, para a discussão de cláusulas do contrato de prestação de serviço educacional.

Por fim, o relator disse que não faz sentido a exigência feita em primeira instância, relativa a percentuais mínimos de representação de toda a instituição de ensino, já que houve assembleia especificamente convocada para o ajuizamento das ações previstas na Lei n. 9.870/99. Nessa assembleia foram colhidas as assinaturas dos alunos, “circunstância em si bastante para afastar a ilegitimidade apontada pelo acórdão recorrido”, concluiu o ministro.

Os demais ministros seguiram o voto do relator para que a ação civil pública retome seu curso normal para o julgamento do mérito.

Fonte: @STJnoticias

sexta-feira, 18 de março de 2011

I Congresso Internacional de Direito e Marxismo

A realização do I Congresso Internacional de Direito e Marxismo é uma parceria entre a Universidade de Caxias do Sul (UCS), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e está dividido em cinco eixos temáticos, estabelecidos a partir dos critérios de aderência com as linhas de pesquisa dos cursos de graduação e dos programas de pós-graduação das instituições realizadoras e da afinidade com o projeto teórico e político desenvolvido por Karl Marx, adotando-se os seguintes títulos: Direito e Economia Direito e Democracia Teoria da Constituição Teoria da Justiça Meio Ambiente

O evento, com inscrições gratuitas, visa a proporcionar a difusão – entre alunos da graduação e pós-graduação, professores, pesquisadores, advogados e profissionais jurídicos em geral – da obra de Karl Marx e da tradição teórica e política que se formou em sua esteira, com a promoção de palestras, oficinas e produções bibliográficas no campo do marxismo, voltadas à temática do Direito Constitucional contemporâneo.

Objetivos
Divulgar a teoria marxiana entre os estudantes, professores e profissionais do Direito em geral.
Reunir pesquisadores nacionais e estrangeiros, preocupados com a conexão entre Direito e Marxismo.
Proporcionar canais de diálogo entre profissionais atuantes em diferentes áreas do Direito.
Promover a difusão de trabalhos científicos acerca dos eixos temáticos adotados.
Fomentar o debate de soluções alternativas para a problemática da falta de efetividade da Constituição.
Auxiliar acadêmicos com dificuldades quanto ao aprofundamento teórico em pesquisas.
Recuperar fundamentos da teoria marxiana, sem deixar de lado outros enfoques ideológicos.
Local


Universidade de Caxias do Sul – Cidade Universitária – Caxias do Sul – RS [Mais informações]

Faça a sua inscrição aqui: Atenção se vc tiver algum tipo de débito com a UCS (até mesmo biblioteca) o sistema na aceita a inscrição como aluno (mesmo sendo gratuito) para completar a inscrição, nesse caso, escolha a opção “não aluno”.

terça-feira, 15 de março de 2011

Mulheres e Políticas Sociais Públicas

A primeira atividade da Jornada foi muito interessante e participativo. Tivemos mais de 70 estudantes participando do debate, conduzido pela professora Mara de Oliveira do Curso de Serviço Social. Foram apresentados dados oficiais da desigualdade de gênero no país e discutido a partir disso a respeito da necessidade e importância de se ter ações específicas nas políticas sociais em forma de programas, projetos e serviços para as mulheres. Além disso, gerou muito debate a questão do formato de mulher ideal que é propagado ideologicamente nos dias atuais: a mulher que é bonita e perfeita conforme os padrões impostos, que trabalha fora e exerce cargos de chefia, que “cuida” bem da casa, do marido, dos filhos…modelo que além de um modelo idealizado é um modelo humanamente impossível.

Saiu desse debate uma proposta de se construir uma disciplina eletiva sobre Questão de Gênero, o Coletivo de Mulheres ficou de marcar uma reunião com algumas professoras que tem aproximação com o tema para debater e montar uma proposta dessa disciplina.


Por Daniela Anunciação Coordenadora de Combate às Opressões do DCE pela Movimentação



segunda-feira, 7 de março de 2011

8 de março: às mulheres estudantes e companheiras de Luta!

Hoje (ao menos no dia que estou a escrever é 8 de Março) é o Dia Internacional da Mulher. Não sei se é um dia a comemorar, talvez sim, mas também, talvez não. Sei que as mulheres já conquistaram um pouco mais de espaço, um pouco mais de dignidade, mas, ainda há muito a melhorar e aí sim, poderei comemorar.

Lembrando da origem do 8 de março, me vem á cabeça as manifestações das mulheres russas por "Pão e Paz", por melhores condições de trabalho e vida. E muito disso ainda lutamos hoje. Lutamos por "paz" onde a mulher não seja mais uma vítima de seu marido ou ex-marido, que a violência contra a mulher seja extinta, ou ao menos atenuada de nossas vidas. Recebemos direto email de mais uma, e mais uma, e mais uma vítima da violência doméstica, onde o homem, insiste em achar que é o dono da mulher.

Lutamos ainda por melhores condições de trabalho, vejo, na própria profissão que escolhi para seguir (Enfermagem) que qualquer homem que se formar já terá trabalho garantido, e a mulher?? Será que só porque o homem tem mais "músculos" conforme a anatomia, já terá seu emprego garantido?? Ainda repito, tem muita mulher que é muito mais forte que o homem, mas isto também não convém falar neste momento. Afinal, não será em músculo, e muito menos em força que quero ver uma mulher conquistando seu espaço.

Gurias, companheiras e amigas, hoje fiz uma reflexão, já faz mais de 101 anos que estamos lutando, lutando por direitos, por igualdade, por paz, por condições de trabalho justas e igualitárias, estamos lutando por muito mais coisas.... Lutaremos até quando?? Sabe, do fundo do coração quero que essa luta seja atenuada por consequência da melhoria da qualidade de vida da mulher. Por hora, me resta uma certeza, pode ser que lutemos por mais 100 anos, 200, e assim vai, mas pior que lutar duramente por 300 anos é não ter lutado.

Então, queria terminar fazendo uma comparação entre o corpo humano e a luta das mulheres: Não preciso citar as N questões que fazem do oxigênio ser vital para o ser humano, mas é ele, o oxigênio que permite que os tecidos e órgãos exerçam suas funções plenamente. Então gurias, o movimento de mulheres está aí, e também necessita de oxigênio para continuar vivo, continuar na luta, e claro, continuar exercendo suas funções e se me permitem, lutas também, plenamente. Hoje, percebo que eu sou oxigênio, e cada uma de vocês que está lendo esse email também é uma parte do oxigênio que mantém a luta firme. Mas gurias, todo o oxigênio precisa ser renovado (não quero dizer que tenhamos que sair da luta), mas que temos a "obrigação" de trazermos mais oxigênio (companheiras) para a luta conosco.

Estamos com uma programação de atividades muito boa para esse semestre, temos tudo para "renovarmos" o oxigênio, e claro, mantermos firme e forte na luta o oxigênio existente. Vamos aproveitar a Jornada que o Coletivo de Mulheres e o DCE estão organizando, as atividades da MMM de Caxias, o EME Estadual e o EME Nacional. Vamos oxigenar o movimento e oxigenarmos a nós mesmas. Vamos convidar nossas colegas, incentivá-las a participar dessa programação.

Ah, e não esqueçam, se no finzinho, mas no finzinho de tudo, não tivermos mais oxigênio, me chamem, prometo que apareço na hora  com um respirador artificial até que o oxigênio seja reestabelecido...

"Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres"

Naiara Conterno

Mulher e Universidade: um espaço conquistado, um espaço a ser transformado

Para falar da relação mulher e universidade é necessário resgatar, mesmo que brevemente, como essa relação se deu na história. A inserção da mulher no ensino superior não se deu automaticamente com a criação dessa instituição.

A idéia machista e de senso comum que perdurou durante muitos anos, de que a mulher era um ser inferior ao homem contribuiu para o difícil acesso das mulheres ao ensino regular e superior. A partir disso, também contribuiu, o tipo de educação que era considerado necessário às mulheres, voltada para exercer o papel doméstico que injustamente a sociedade lhe designou: ser uma boa esposa, boa mãe, boa “dona de casa”. Esse caráter predominou na forma de educação que era fornecida às mulheres num primeiro momento só em casa, depois no ensino regular, e no ensino superior.

Quanto ao ensino superior, durante muito tempo, as mulheres foram proibidas de ocupar os bancos universitários, pois, o ensino era voltado somente para os homens.

O processo de ingresso das mulheres na universidade foi longo e difícil, devido ao preconceito sofrido diante de uma sociedade machista e conservadora, onde durante um longo período, a universidade, assim como muitos outros espaços públicos não eram considerados lugares onde as mulheres deveriam estar inseridas, e assim o acesso ao conhecimento era restrito às mulheres.

Nesse sentido, a entrada da mulher na universidade foi muito lenta, ocorrendo num primeiro momento em instituições nos Estados Unidos, e por um longo período esse foi o único lócus de inserção. Durante bom tempo, também a educação superior para a mulher não era direcionado para sua autonomia e carreira profissional, mas como um contributo para melhor desempenhar as funções lhe designadas e já mencionadas anteriormente, principalmente as ligadas ao casamento. A graduação era praticamente uma etapa anterior ao casamento, a idéia de pós graduação para mulheres era praticamente nula. Um filme que demonstra esse contexto é O Sorriso de Monalisa.

No Brasil, a mulher obteve o direito ao acesso em 1879 e o primeiro ingresso em 1887, mas por bastante tempo eram pouquíssimas as mulheres universitárias. Um expressivo ingresso de mulheres no ensino superior só se deu em 1970, o que contribuiu com a expansão do ensino superior no contexto da Revolução Industrial.

Atualmente as matriculas de mulheres no ensino superior é número massivo, somos maioria. Mas a sociedade continua machista o que se reproduz na universidade. Existe, por exemplo, uma divisão sexual nas áreas e cursos na educação superior. As mulheres são maioria em cursos considerados historicamente “femininos”, principalmente aqueles que tem vinculação com o cuidado e a proteção, enquanto outras áreas são de predominância masculina e expressam poder e superioridade. Mas o desafio não se resume a ingressar nessas áreas consideradas masculinas, mas de reverter a essência dessa concepção que tem raízes profundas e históricas.

Em outro âmbito os resquícios das contradições da sociedade capitalista e machista que se reproduzem na universidade, também “respingam” na sala de aula, na organização interna da universidade e no movimento estudantil.

Considerando a história de inserção da mulher no Ensino Superior e a forma que essa inserção adquire atualmente, é necessário um constante olhar feminista sobre a universidade, através da auto - organização das mulheres inseridas na comunidade acadêmica. Esse olhar deve estar atento, por exemplo:
  • aos projetos pedagógicos dos cursos, visando a educação não sexista;
  • às relações de poder que se constroem na universidade;
  • às expressões de violência que muitas vezes aparecem de forma singela reproduzindo a opressão de gênero;
  • ao direcionamento do movimento estudantil, principalmente para que incorpore as bandeiras feministas.
Nesse 8 de março, queremos destacar que, enquanto o machismo se fizer presente na sociedade e se reproduzindo na universidade, nós mulheres estaremos organizadas – também no Coletivo de Mulheres e no DCE da UCS - pois a desigualdade de gênero que se disseminou na história é muito profunda!

Daniela Andrade da Anunciação

domingo, 6 de março de 2011

Como foi a discussão sobre as cotas de impressão na UCS

Na metade do mês de fevereiro a reitoria tomou uma decisão autoritária e, obviamente, unilateral. A decisão de suspender as cotas de impressão nos laboratórios de computação da UCS indignou a maioria dos estudantes da universidade. Fizemos abaixo um resumo de como foi esse debate que já leva quase um mês.

Essa atitude acabou sendo um teste para a diretoria do DCE que enfretaria seu primeiro embate. A Movimentação já sabia que no momento onde a entidade tivesse que se confrontar com as decisões da reitoria, os outros dois grupos que compõem as coordenadorias da entidade, optariam pela subserviência à reitoria, o que foi fato comum na gestão passada.

No dia seguinte aconteceu uma reunião do DCE onde o cancelamento das cotas de impressão era um dos pontos de pauta Para a surpresa da Movimentação os outros dois grupos “DCE porVocê” e “Hora de Avançar” não tiveram nenhum interesse em discutir esse ponto de pauta, ao contrário, optaram por discutir uma verba mensal para cada um dos coordenadores do DCE!

Ao mesmo tempo, pela internet, um grupo de alunos já se organizavam, pelo Orkut, uma mobilização que deu origem a um abaixo assinado virtual, que obteve mais de 4.000 assinaturas. Ao perceber o movimento dos estudantes a Movimentação encampou a luta dos estudantes contra a retirada das cotas de impressão e partiu para a mobilização. Infelizmente os outros dois grupos dentro do DCE optaram pelo imobilismo.

Na segunda-feira, 21/02, ocorreu a primeira reunião entre estudantes e reitoria sobre a retirada das cotas (leia aqui). Nesse momento ficou claro quem tem posição e quem só tem enrolação. A maior parte das falas foi da Movimentação que dirigiu a reunião, questionou e propôs. Inclusive foi iniciativa da Movimentação que a comissão criada para definir a situação tivesse 1 membro de cada um dos grupos do DCE.

Na quinta-feira, 24/02, nova reunião onde esperava-se que a universidade trouxesse os tão falados números que baseavam a decisão dela. Não houve números (leia aqui). Na verdade houve um leilão e o “DCE por Você”, entrou nesse leilão. Quando a Movimentação propôs 90 impressões por disciplinas, um integrante do “DCE porVocê”, propôs 60, ou seja, ao invés de mobilizar, entrou no jogo da reitoria. A partir daí a UCS começou a apresentar número a esmo até chegar as 13 impressões por crédito.

Essa decisão indignou os estudantes, como mostrou a enquete e os comentários no site do DCE. Para 65%, das pessoas que votaram, a proposta da reitoria era Muito Ruim ou Ruim. Até mesmo no blog da “Hora de Avançar”, defensora da proposta, a maior parte dos comentários (que não foram escritos pelos mesmos) foi de reprovação. Como ficaram completamente perdidos as duas forças de oposição perderam o discurso e não conseguiram fazer mais nenhuma proposição.

Coube então, a Movimentação, liderar novamente as discussões para que os estudantes não ficassem ainda mais prejudicados. Abaixo nós apresentamos algumas palavras chaves que fizeram parte dessa discsussão para que todo mundo tenha uma visão mais completa da discussão.

Cota de impressão: Desde 2006 a cota de impressão era 100 por disciplina, antes não havia limite. Agora ficou estabelecida, mesmo a contra gosto, 13 impressões por crédito. Entretanto estão mantidas as cópias para monografia, TCC e relatório de estágio. Também permanecem as impressões em plotter para a arquitetura. Ainda há alguns caso que precisam ser estudados a parte.

Economia de dinheiro: Ao que tudo parece isso é uma lenda. Até agora a UCS não apresentou os gastos que tinha com as impressões. A redução no número também não reduzirá os custos pois ela investirá num projeto de e-book (veja abaixo). Como a UCS terceirizou a impressão ela irá pagar R$ 0,10 por cópia para as empresas que prestarão o serviço.

Meio ambiente: Essa foi outra alegação da UCS para o corte de impressões mas não durou muito, pois a própria instituição tem uma série de contradições na área ambiental, como a falta de separação de lixo, por exemplo.

E-books: A UCS está se associando a uma biblioteca de e-books. A proposta é que cada aluno tenha uma senha de acesso a biblioteca. Isso tem um custo para a universidade e para o aluno (as impressões das páginas são pagas). Porém há uma grande limitação, o site tem apenas 1500 títulos, totalmente insuficiente para uma universidade.

Mobilização: Foi graças ao abaixo assinado virtual e a mobilização via internet que a UCS acabou cedendo. A Reitoria ficou sabendo da movimentação dos estudantes e principalmente do “#zorzifora”. Esse movimento fez, realmente, a universidade repesnar sua proposta.