sábado, 16 de abril de 2011

Nota sobre o I EME da UEE Livre do RS

O  I Encontro de Mulheres Estudantes da União Estadual dos Estudantes (UEE Livre/RS) aconteceu no dia 02 de abril de 2011 na Faculdade de Educação da UFRGS e contou com a presença de cerca de 50 estudantes das universidades do Estado. Estiveram presentes estudantes da Universidade de Santa Cruz (UNISC), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), Universidade de Caxias do Sul (UCS) e UNIVATES.


A mesa de abertura, sobre o tema: “Ô abre alas que as mulheres vão passar! Igualdade é poder”, de mesmo tema do EME nacional, contou com a participação de representantes feministas dos seguintes movimentos e/ou entidades: Movimento das Mulheres Camponesas, Diretório Central de Estudantes - DCE da UFRGS, União Nacional dos Estudantes - UNE, Marcha Mundial das Mulheres, União Brasileira de Mulheres e Organização Maria Mulher. As debatedoras trouxeram importantes contribuições e análises sobre a história de lutas das mulheres, sobre as origens da opressão contra a mulher, e sobre os aspectos específicos da inserção das mulheres nos espaços: movimento camponês, movimento estudantil e nos movimentos essencialmente feministas. Também foram feitas análises conjunturais, tendo como foco o fato de se ter a primeira presidenta mulher no país, e a partir disso apontaram desafios atuais da organização feminista.

Pelo período da tarde, ocorreram grupos de discussões – GD’s, que estiveram centrados nos temas: movimento estudantil, assistência estudantil, saúde das Mulheres e a legalização do aborto, trabalho e renda na universidade - economia solidária e feminista, coletivo de ulheres e auto-organização e mercantilização. Nestes grupos de discussão, as participantes tiveram a oportunidade de trocar experiências de suas Universidades, bem como realizar encaminhamentos e propostas a cerca da temática a qual foi discutida. Estes encaminhamentos serão realizados a nível Estadual e Nacional, bem como, serão apresentados no IV Encontro de Mulheres Estudantes da União Nacional dos Estudantes que se realizará entre os 21 e 24 de abril de 2011 na cidade de Salvador/BA.

Após a socialização das discussões dos grupos, houve um momento de debate a fim de unificar o Movimento Estudantil Feminista do Estado, bem como para organizar uma sistematização, que foi chamada de Carta do I EME-UEE Livre/RS, com conteúdo advindo a partir dos GD’s e portanto, como deliberações do encontro.

O I Encontro de Mulheres Estudantes da UEE Livre/RS além de se constituir em um espaço debates e reflexões, como fórum de definição de linhas de atuação do movimento feminista inserido no movimento estudantil no Estado, instigou a criação de novos coletivos de mulheres nas universidades, o fortalecimento dos coletivos já existentes, e funcionou como espaço preparatório para o IV Encontro de Mulheres da UNE.

Assim, o Movimento de Mulheres do Estado do Rio Grande do Sul sai mais fortalecido após a realização deste I EME-UEE Livre/RS, da mesma forma que o movimento estudantil em geral.


Da UCS, participou uma delegação de 17 mulheres estudantes




O I EME significa uma conquista do movimento de mulheres estudantes que terá daqui em diante e através das próximas edições, esse importante espaço de fortalecimento, formação e articulação das mulheres estudantes no Estado e com o movimento a nível nacional.

E rumo ao IV EME Nacional!


Sobre Medicina, Greves e Governos

Durante minha estadia em Cuba, além de estudar história na Universidad de Oriente, em Santiago de Cuba, também tive a oportunidade de acompanhar, enquanto estava em Havana, os estudantes de medicina em suas mais diversas atividades, tanto teóricas como práticas. E posso afirmar que foi uma das experiências mais impactantes que já tive. Acompanhava-os na Universidade e nos hospitais. Realizava com eles visitas a domicílios, que sempre eram mais longas do que esperávamos, pois tão grande era o carinho com o qual éramos recebidos que acabávamos conversando sobre os mais diversos assuntos. E quando se inteiravam que éramos estudantes brasileiros, aí já ofereciam café e tudo quanto possam imaginar. Enfim, fiquei realmente impressionado com o sistema de saúde daquele país e com o enfoque que é dado pela medicina, extremamente humanizadora, sem qualquer viés que objetive o lucro. Realmente fiquei tentado a trocar a carreira de historiador pela de médico e, se não fosse minha aversão às agulhas, talvez o teria feito. Poderia relatar também aos leitores, minhas experiências em Cuba enquanto paciente (estive internado no hospital em duas oportunidades), mas aí o texto tornar-se-ia extenso demais. Bom, talvez na próxima oportunidade eu conte. Mas por enquanto, fica aqui meu grande abraço aos meus amigos formados em medicina em Cuba e que hoje estão cumprindo missão médica nas selvas da Venezuela: a Marcus, Daniel e Ana Rosa, meus sinceros agradecimentos pelos ensinamentos que me passaram e continuam me passando.

Quando voltei ao Brasil, comecei a analisar um pouco mais o nosso sistema de saúde (não tão profundamente quanto gostaria). Antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro que sou um grande defensor do SUS que, apesar de todos os problemas que devem ser resolvidos, possui uma ótima concepção de medicina, a começar pela afirmação de que ela deve ser totalmente pública. Sabemos que a carreira de médico no Brasil, e em muitos outros países, é a mais elitizada de todas. Ou seja, nosso problema começa já na Universidade, pois geralmente quem consegue ingressar nos cursos de medicina são estudantes das classes mais abastadas da nossa sociedade. Bueno, apesar de toda a regra ter suas exceções, daí já podemos deduzir as concepções de medicina que são predominantes em nosso país. Aliás, talvez muitos ainda não saibam, mas os estudantes brasileiros formados em medicina em Cuba, são proibidos de trabalhar no Brasil. Por quê? Posso arriscar que seja por uma reserva de mercado (isso mesmo, medicina também é mercadoria no Brasil), ou seja, quanto menos médicos, mas caro se torna nossa saúde. E isso não é só culpa do governo, pois existe uma grande pressão dos conselhos médicos no país para barrar a vinda desses médicos recém formados em Cuba e que possuem uma outra visão da medicina.

Considerações feitas, quero por último falar sobre a greve dos médicos em nossa cidade. Mais uma vez a população de Caxias sofre com este descaso. Mas a culpa é dos médicos somente? Claro que não. A grande mídia de nossa cidade tenta desesperadamente tirar a parcela de culpa do nosso governo municipal e colocá-la nos médicos. Estes, estariam sendo irresponsáveis e não estariam pensando na população. Mas que hipocrisia. Bom, as eleições municipais de 2012 estão chegando e é claro que a prefeitura não quer ser alvo de críticas desde já. Mas o fato é que a prefeitura é omissa e irresponsável na condução deste caso. Quantas vezes o nosso prefeito foi conversar com os médicos? E será que não poderia ter sido estabelecida, antecipadamente, uma mesa de negociações e diálogo com a categoria, para ouvi-la e para tentar encaminhar este caso de forma que a população não fosse atingida. É claro que o prefeito não deve estar muito preocupado, por que não precisa utilizar o postão 24 horas. Os planos de saúde, que ganham dinheiro com a falta de saúde das pessoas, estão espalhados por todo o canto e demonstram ser um bom negócio para quem quer investir neste ramo. Enquanto isso o que faz a grande mídia? Critica fortemente os médicos e o sistema público de saúde. Para quê? Para enfraquecer a categoria e eximir de toda a culpa a prefeitura, e além disso, para fazer com que a opinião pública diga que se tenha que privatizar a saúde também. Que absurdo! Não agüento mais ligar a televisão de meio dia e ver os comentários dos jornalistas marionetes do grande capital. Saúde pública e de qualidade é que precisamos para uma vida mais digna.

Paulo Amaro Ferreira

Acadêmico de História e Coordenador de Assistência Estudantil do DCE UCS

Mesa de negociação e a responsabilidade do movimento estudantil

Constituir um canal de diálogo com a reitoria de uma universidade sempre foi um desafio para o movimento estudantil. Quando essa universidade é particular então a situação é muito pior. Durante 6 anos é reivindicação da Movimentação a criação de uma mesa permanente de discussões. O objetivo desse fórum é debater (a proposta inicial contemplava também professores e funcionários) temas de interesse institucional, criar uma agenda de demandas e avaliação da realização das mesmas e criar um canal onde os problemas possam ser discutidos antes de se tornarem crises institucionais.

Nesse ano conseguimos depois de dois grandes embates a criação desse espaço. Ele está restrito ao diálogo entre a reitoria e ao movimento estudantil, mas já avaliamos que é um grande começo.

Na última sexta-feira, dia 8, aconteceu a segunda reunião desse fórum. Nela pode-se fazer uma avaliação do novo sistema de impressão da UCS. A questão das cotas de impressão, inclusive, foi um dos motivadores para a criação dessa agenda. Durante a reunião foram apresentadas sugestões para melhoria do sistema, novas reivindicações e até mesmo algumas conceitualizações. Mas o fundamental desse espaço não é o que foi discutido, isso está no site do DCE, o principal é o ambiente político criado.

Nesse momento estamos com um papel de protagonistas dos debates da universidade. Apesar a UCS ter aproveitado a reunião e apresentado o convênio com a Biblioteca Virtual 2.0, nós apresentamos a proposta de um seminário de avaliação (que ficou acordado com a reitoria para realização em conjunto). Nessa reunião nós pautamos o debate. Nossa postura foi propositiva e reflexiva.

Para as próximas reuniões temos o dever de preparar uma agenda de temas onde possamos avançar ainda mais. Temos na pauta a Casa do Estudante, a Creche, as eleições para direção de centro, a reforma dos estatutos da UCS, o reajuste das mensalidades, os estacionamentos, as bolsas, a pesquisa, a extensão universitária, enfim, podemos enumerar aqui uma série de temas que podem ser apresentados. Nem todos teremos conquistas imediatas, mas se conseguirmos avançar, nem que seja em pequenos passos, teremos conseguido grandes vitórias.

A postura da Movimentação deixa claro para todo o movimento estudantil que somos um grupo que dialóga, mas que não ficamos apenas na conversa. Temos condições de dialogar, pois temos capacidade elaborativa, história e conhecimento suficientes para produzirmos um diálogo produtivo. Nossa oposição era extremamente pobre nessas características tanto que nas vezes que foi para a mesa de discussão não passou de falas monossilábicas.

A Movimentação está no caminho certo na condução do movimento estudantil na UCS. Ela estabelece um movimento com diálogo. O tem de um, ou de outro, é dado pela reitoria. Quando nossas reivindicações são ouvidas o movimento é mais propositivo, quando somos desrespeitados, o movimento é mais incisivo. No outro lado desse paradigma fica as pessoas que apenas querem status para poderem dizer: “eu tive reunião com o reitor”. Felizmente a Movimentação está no primeiro caso.

Racismo: o movimento estudantil não aceita, denuncia!

O Diretório Central de Estudantes – DCE e o Coletivo de Mulheres Estudantes da UCS, repudiam através desta carta, a atitude racista praticada pelo senhor Orlando Andreazza, contra a operadora de caixa Queren Pereira no dia 12 de abril desse ano (ontem), bem como a de todos/as que compartilharam seu posicionamento, rindo e aderindo a piada preconceituosa.

Orlando Andreazza, fez uma piada de cunho eminentemente racista contra Queren nas dependências do Mercado Andreazza (filial do bairro Pioneiro), e, portanto, a expondo e a constrangendo publicamente. Referiu-se a jovem que é negra e está grávida, a comparando a um objeto e seu filho a um “macaco”, conforme publicado no Jornal Pioneiro de hoje.

A opressão e o preconceito se reproduzem de várias formas em nossa sociedade, e as brincadeiras e piadas são as formas mais comumente propagadoras desses valores e práticas
que oprimem, constrangem e inferiorizam as pessoas no cotidiano, tendo como alvo sua cor,
sexo ou orientação sexual. Essa opressão advinda do comportamento social construiu-se reiterando a exploração e o controle e ainda está muito presente atualmente.

A partir disso, as piadas, geralmente utilizadas com trocadilhos, como essa, tendem a
reforçar a naturalização do preconceito e inferiorizar as pessoas, exteriorizando de forma “não direta” todo o preconceito e crueldade direcionados a população negra, às mulheres e a
população economicamente desfavorável, como ocorreu nesse caso.

Devemos combater toda a forma de opressão e por isso não podemos permitir
qualquer atitude que reproduza esses valores arcaicos. Reiteramos que toda pessoa tem
direito a não opressão, garantidos legalmente através dos direitos civis, políticos e sociais e no mesmo sentido, deve ser respeitada em suas diferenças.

Consideramos tal situação de extrema gravidade, e que o mentor deve ser responsabilizado pelos seus atos.

Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Caxias do Sul – DCE UCS, gestão 2011 

Coletivo de Mulheres UCS

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Movimentação não esquece dos Núcleos. Reunião com DAs do Nugua encaminham demandas a reitoria


Na manhã de hoje, 14/04, os representantes dos estudantes do NUGUA, representante do DCE da Movimentação reitoria realizaram uma reunião para discutir sobre demandas do Núcleo de Guaporé. Estiveram presentes na reunião o Coordenador de Assistência Estudantil do DCE, Paulo Amaro Ferreira (Movimentação), os membros do Diretório Acadêmico de Direito de Guaporé Juciane Rasador e Rui Schulz Filho, e também o membro do Diretório Acadêmico de Administração de Guaporé Fabrício Rossetto. Por parte da UCS, se fizeram presentes o Reitor Isidoro Zorzi e o chefe de Gabinete do Reitor, José Carlos Monteiro,

Esta reunião havia sido solicitada pelos estudantes de Guaporé, com o objetivo de trazer as demandas do NUGUA até a reitoria, para que a mesma estivesse a par do que ocorria lá. Além de demandas de infraestrutura, existe também uma pauta política, principalmente pela dificuldade de diálogo com a direção do núcleo.

Após a apresentação das demandas, a reitoria se comprometeu em atender imediatamente alguns itens que dizem respeito à estrutura, que são: separação das salas dos DAs de Direito e Admistração, que até então funcionam em uma mesma sala, apenas separados por uma divisória; a criação de um Centro de Convivências no subsolo, onde se isntalaria o bar, melhorias no SAJU, que funciona em uma sala no centro da cidade, e também a instalação de Wireless em todo o núcleo.

Além disso, a reitoria se comprometeu também em trabalhar para que o diálogo entre direção do núcleo e os estudantes avance, para que cada vez mais se possa melhorar a qualidade do ensino no NUGUA.

Esta reunião também faz parte de uma política adotada pelo DCE neste ano, que é a de priorizar os Campis e Núcleos, já que no último ano pouco se fez neste sentido. Acreditamos que, por pagarem os mesmos valores do que os estudantes da cidade universitária, os estudantes dos Campis e Núcleos têm o direito de ter as mesmas condições para desenvolverem seus estudos.

sábado, 2 de abril de 2011

Semana do Hip Hop nós apoiamos

A Vereadora Denise Pessoa (PT) apresentou um projeto de lei para que tenhamos a Semana Municipal de Hip Hop.

Este projeto é de suma importância para que o Movimento Hip Hop tenha a garantia de trabalhos desenvolvidos durante todo o ano. Porém, quando o projeto foi discutido em sessão na Câmara dos Vereadores muitos desses representantes da comunidade caxiense riducularizaram o Movimento desvalorizando o trabalho desenvolvido de forma independente por muitos militantes que não tem acesso a recursos públicos.

Um argumento usado para derrubar o projeto foi o fato de que o movimento já recebe verbas para desenvolver atividades. Este pequeno grupo inserido na secretaria de cultura, mais específicamente no departamento de arte e cultura popular não representa o Movimento Hip Hop em sua totalidade. A Vereadora Geni Peteffi (PMDB) foi a que mais enfatizou que a Semana do Hip Hop não deve existir.

O grupo de Hip Hop Poetas Divilas tomou a iniciativa de fazer uma campanha para a aprovação do projeto. Desenvolvemos um logotipo e um dossiê do Hip Hop para esclarecer o que é o movimeto e embasar a decisão dos vereadores. Encaminho este material em anexo para que tod@s possam se interar no assunto.
Além deste material, fizemos algumas reuniões com lideranças do movimento e vereadores que ainda  estavam em dúvida em relação ao movimento e ao projeto.

Enquanto militante do Movimento estudantil e do Movimento Hip Hop esperamos o Apoio da Movimentação neste processo, principalmente no dia da votação que saberemos informar as vésperas da data certa.

César Vinicius
Presidente DAPP