terça-feira, 19 de outubro de 2010

A UCS é mesmo uma Universidade Comunitária?


Nós, estudantes da Universidade de Caxias do Sul, indignados com o anúncio do aumento abusivo das mensalidades, de 7.94%, feito pelo Conselho Diretor, viemos a público manifestar-nos:

  •         O Conselho Diretor da Fundação Universidade de Caxias do Sul, mostra mais uma vez o seu total descompasso com relação à comunidade acadêmica. Já o fez em março deste ano, quando desrespeitou a opinião da mesma e escolheu o Prof. Isidoro Zorzi para permanecer na Reitoria até 2014, jogando no lixo nossa opinião majoritária por outra candidata. Opinião essa feita através da participação acadêmica e do voto. Se a UCS almeja ser uma Universidade Comunitária, ela deve começar a refletir a comunidade nos seus espaços de representação. O Conselho Diretor não reflete a nossa comunidade. Nele estão representados a Mitra, o MEC, a CIC, e outra entidade particular, além do Reitor, nos representando. Mas onde estão os estudantes? Onde estão as entidades que representam os trabalhadores desta cidade? Acreditamos que o Conselho Diretor deve ser ampliado, para que a UCS possa ser de fato uma Universidade Comunitária, e não apenas no discurso do Reitor;

  •         A declaração do Presidente do Conselho Diretor de que o aumento seria “razoável” é outra infeliz atitude nesse ponto. Perguntemos a ele se o trabalhador caxiense e da região receberá reajuste salarial desse nível, uma vez que muitos estudantes são também trabalhadores e pagam pelos seus estudos. Este é um aumento superior a qualquer índice de inflação do periodo;

  •          A Reitoria, por sua vez, contribuiu com as declarações infelizes, dizendo que o aumento de mensalidades abusivo é conseqüência das gratuidades da UCS, das bolsas de estudo, entre elas a do ProUni (Programa Universidade para Todos). Repudiamos tal declaração e afirmamos que o ProUni não onera o orçamento da Universidade. Pelo contrario, a UCS possuiu isenção fiscal por destinar bolsas de estudo a jovens de baixa renda. A UCS, como Entidade Filantrópica, tem a obrigação de destinar 20% de seu orçamento para Assistência Estudantil. Destes 20%, 15% devem ser destinados à bolsas. Tanto o ProUni, quanto as bolsas distribuídas pela UCS, fazem parte deste esforço da Universidade para enquadrar-se nesta lei. Além de ser uma inverdade, colocar a culpa nas bolsas é uma forma de colocar os estudantes que não têm bolsas contra aqueles que possuem.

  •         A gestão Isidoro Zorzi mais uma vez ignora a comunidade acadêmica, impedindo que este aumento fosse sequer debatido no Conselho Universitário (CONSUNI). O CONSUNI, além de ter ser transformado em um espaço quase todo indicado pelo Reitor, exceto a representação estudantil, não cumpre seu papel de agregar as diferenças presentes na nossa Universidade, adquirindo um caráter “decorativo” dentro da estrutura da UCS;
  •  Outro ponto que nos causa descontentamento é ver os descontos para os cursos de licenciatura serem mais uma vez ameaçados. Esses descontos são uma conquista do movimento estudantil e um incentivo valoroso para formação de educadores. A educação é uma área que sofre com o descaso do mercado de trabalho, com baixos salários e falta de condições dignas para desenvolver ao máximo suas potencialidades. Por isso o incentivo dos descontos para os cursos que formam professores para nossa sociedade deve ser mantido pela UCS. A retirada dos descontos representará um aumento de 27,94% para os estudantes desses cursos;

  •         Infelizmente a representação máxima dos estudantes da UCS sofre com uma direção majoritária do DCE que respalda essas ações, tanto da Reitoria como do Conselho Diretor. Exemplo disso foi o apoio à escolha de Zorzi para a Reitoria, se posicionando contra a escolha dos estudantes. Além disso, o DCE permitiu um aumento de quase 10% no Restaurante Universitário (RU), quando pouco fez para defender os interesses estudantis, legitimando os atuais retrocessos. Uma gestão que em campanha prometia priorizar o diálogo com os setores da UCS mostra-se passiva a todos os fatos e subserviente a atual reitoria;


  •         Nos últimos anos, através de muito debate e crítica por parte dos estudantes, a UCS passou a tornar público seu orçamento. A abertura dos orçamentos permitiu ao movimento estudantil fiscalizar de forma propositiva os investimentos e evidenciar os gastos desnecessários. Essas ações se concretizaram sob o nome de “Orçamento Universitário”, que permitiu aos estudantes decidirem o que era importante na UCS. Esse programa se tornou referência nacional nas universidades pagas, sendo reconhecida pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e implementado hoje em todo o país. No ano de 2010, a Reitoria negou ao movimento estudantil a abertura de suas contas previamente, evidenciando suspeitas de haver problemas gerenciais e financeiros graves na Instituição.

  •         O aumento decidido para 2011 não passa por previsão de grandes investimentos na UCS. Aliás, é de conhecimento que os professores e gestores estão orientados a cortarem todo e quaisquer espécie de custos, o que pode comprometer o bom andamento das aulas e a qualidade de ensino, além de comprometer as pesquisas aqui realizadas. É preciso estar atentos às possíveis demissões de funcionários e professores, analisando o caráter político das escolhas da gestão de Zorzi. 

Este ano podemos evidenciar uma explícita desvalorização da comunidade acadêmica, de seus espaços de discussões e a sua redução na participação das decisões. Percebemos que conquistas obtidas através dos anos foram, e continuam sendo retiradas, retrocedendo nos debates que tínhamos a respeito da democracia na nossa Instituição e invertendo o papel que a Universidade tem, de fomentar a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. 

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