segunda-feira, 7 de março de 2011

Mulher e Universidade: um espaço conquistado, um espaço a ser transformado

Para falar da relação mulher e universidade é necessário resgatar, mesmo que brevemente, como essa relação se deu na história. A inserção da mulher no ensino superior não se deu automaticamente com a criação dessa instituição.

A idéia machista e de senso comum que perdurou durante muitos anos, de que a mulher era um ser inferior ao homem contribuiu para o difícil acesso das mulheres ao ensino regular e superior. A partir disso, também contribuiu, o tipo de educação que era considerado necessário às mulheres, voltada para exercer o papel doméstico que injustamente a sociedade lhe designou: ser uma boa esposa, boa mãe, boa “dona de casa”. Esse caráter predominou na forma de educação que era fornecida às mulheres num primeiro momento só em casa, depois no ensino regular, e no ensino superior.

Quanto ao ensino superior, durante muito tempo, as mulheres foram proibidas de ocupar os bancos universitários, pois, o ensino era voltado somente para os homens.

O processo de ingresso das mulheres na universidade foi longo e difícil, devido ao preconceito sofrido diante de uma sociedade machista e conservadora, onde durante um longo período, a universidade, assim como muitos outros espaços públicos não eram considerados lugares onde as mulheres deveriam estar inseridas, e assim o acesso ao conhecimento era restrito às mulheres.

Nesse sentido, a entrada da mulher na universidade foi muito lenta, ocorrendo num primeiro momento em instituições nos Estados Unidos, e por um longo período esse foi o único lócus de inserção. Durante bom tempo, também a educação superior para a mulher não era direcionado para sua autonomia e carreira profissional, mas como um contributo para melhor desempenhar as funções lhe designadas e já mencionadas anteriormente, principalmente as ligadas ao casamento. A graduação era praticamente uma etapa anterior ao casamento, a idéia de pós graduação para mulheres era praticamente nula. Um filme que demonstra esse contexto é O Sorriso de Monalisa.

No Brasil, a mulher obteve o direito ao acesso em 1879 e o primeiro ingresso em 1887, mas por bastante tempo eram pouquíssimas as mulheres universitárias. Um expressivo ingresso de mulheres no ensino superior só se deu em 1970, o que contribuiu com a expansão do ensino superior no contexto da Revolução Industrial.

Atualmente as matriculas de mulheres no ensino superior é número massivo, somos maioria. Mas a sociedade continua machista o que se reproduz na universidade. Existe, por exemplo, uma divisão sexual nas áreas e cursos na educação superior. As mulheres são maioria em cursos considerados historicamente “femininos”, principalmente aqueles que tem vinculação com o cuidado e a proteção, enquanto outras áreas são de predominância masculina e expressam poder e superioridade. Mas o desafio não se resume a ingressar nessas áreas consideradas masculinas, mas de reverter a essência dessa concepção que tem raízes profundas e históricas.

Em outro âmbito os resquícios das contradições da sociedade capitalista e machista que se reproduzem na universidade, também “respingam” na sala de aula, na organização interna da universidade e no movimento estudantil.

Considerando a história de inserção da mulher no Ensino Superior e a forma que essa inserção adquire atualmente, é necessário um constante olhar feminista sobre a universidade, através da auto - organização das mulheres inseridas na comunidade acadêmica. Esse olhar deve estar atento, por exemplo:
  • aos projetos pedagógicos dos cursos, visando a educação não sexista;
  • às relações de poder que se constroem na universidade;
  • às expressões de violência que muitas vezes aparecem de forma singela reproduzindo a opressão de gênero;
  • ao direcionamento do movimento estudantil, principalmente para que incorpore as bandeiras feministas.
Nesse 8 de março, queremos destacar que, enquanto o machismo se fizer presente na sociedade e se reproduzindo na universidade, nós mulheres estaremos organizadas – também no Coletivo de Mulheres e no DCE da UCS - pois a desigualdade de gênero que se disseminou na história é muito profunda!

Daniela Andrade da Anunciação

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